CURSO
DE FORMAÇÃO: MELHOR GESTÃO, MELHOR ENSINO.
Edição 2013
SEQUÊNCIA
DIDÁTICA
Professores:
Denise Rodrigues
Guaraciara Antonio
Katia Moreira
PÚBLICO ALVO: 8ª
série / 9º. Ano
PREVISÃO: 05
aulas
Conhecer o gênero literário (Crônica) e sua momentaneidade,
Inferências locais e globais;
Ativar a criticidade;
Trabalhar os tipos de leituras Crônica (texto jornalístico) , Música ( poema) e Imagens; Afetividade;
Produzir textos escritos e visuais dentro da proposta do gênero estudado;
Estimular
a pesquisa e manuseio de ferramentas e ambientes digitais.
Estimular
competências comunicativas entre os alunos;
Identificação
da palavra chave “Pausa”, que se refere ao título;
Analisar
a automatização da comunicação;
Relacionar
o gênero literário com o cotidiano;
Construção
das inferências locais e globais.
Elementos e características do texto proposto;
Leitura,
comunicação oral e visual;
1ª aula
1 – Reflexão sobre as
imagens selecionadas contrastando a calma com a aflição;


2 - Roda de conversa
sobre suas impressões sobre as imagens;
3 – Audição da música: PACIÊNCIA – LENINE (ver anexo)
4 – Reflexão sobre as
relações entre imagens, música e cotidiano;
5 – Roda de conversa com
a problemática: como lhe dar com as diversas formas de comunicação sem se
isolar.
2ª aula
6 - Apresentação da
crônica: “PAUSA” – MOACYR SCLIAR ( ver
anexo) e leitura silenciosa;
7 – Leitura
compartilhada (trabalhando a pausa na leitura) procurando identificar essa
“pausa” dentro da construção textual, abordar os diversos conceitos de pausa (reflexão,
morte, término, lazer, vida, sonhos).
8 – Roda de conversa
sobre as relações existentes entre os vários textos apresentados;
3ª e 4ª aulas
9
-
Assistir vídeos no You tube com dicas
de como utilizar o celular para filmagem e fotografia;
10 – Produção visual,
oral e escrita (produção em vídeo de um dia no cotidiano do aluno), o professor
também participará das atividades.
11 -
Correção dos textos e ajustamento do aluno em relação ao texto escrito;
5ª aula
12 - Apresentação escrita,
oral e visual – Através de apresentação do texto, relato e videos produzidos;
Rádio computador, projetor, televisão, cópias do texto, pendrive, caneta, folhas almaço, celulares, tablets, câmera fotográfica.
www.vagalume.com.br/
paciencia
MÚSICA: PACIÊNCIA – LENINE
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não... a vida não para)
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não... a vida não para)


Pausa
"Às
sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro,
fez a barba e lavou-se. Vestiuse rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha,
preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais
sair de novo, Samuel?
Fez
que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas
eram espessas, a barba, embora recémfeita, deixava ainda no rosto uma sombra
azulada. O conjunto era uma máscara escura.
—
Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
—
Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente.
Ela
olhou os sanduíches:
—Por
que não vens almoçar?
—
Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A
mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o
chapéu:
—Volto
de noite.
As
ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava
vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou
o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço,
caminhou apressadamente duas quadras.
Detevese
ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e
Entrou
furtivamente. Bateu comas chaves do carro no balcão,acordando
um
homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os
olhos, pôsse de pé:
—Ah!
Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este,não é? A gente...
—Estou
compressa, seu Raul!—atalhou Samuel.
—
Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. — Estendeu a chave.
Samuel
subiu quatro lanços de uma escada vacilante.
Ao
chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharamno com
curiosidade:
—Aqui,
meu bem!—uma gritou, e riu; um cacarejo curto.
Ofegante,
Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave.
Era
um aposento pequeno: uma cama de casal, um guardaroupa de
pinho;
a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel
correu
as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de
viagem,
deu corda e colocouo na mesinha de cabeceira.
Puxou
a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido;
Com
um suspiro,tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado
na
cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no
papel
de embrulho, deitouse e fechou os olhos.
Dormir.
Em
pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a moverse:
Os
automóveis buzinando, os jornaleiros gritando,os sons longínquos.
Um
raio de sol filtrouse pela cortina, estampou um círculo
Luminoso
no chão carcomido.
Samuel
dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio
montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa,
nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexiase e
resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas.
Sentouse na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassálo com a
lança. Esvaindose em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu
o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às
sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavouse.
Vestiuse rapidamente e saiu.
Sentado
numa poltrona, o gerente lia uma revista.
—Já
vai,seu Isidoro?
—
Já — disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o
Troco
em silêncio.
—Até
domingo que vem,seu Isidoro — disse o gerente.
—Não
sei se virei—respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
—
O senhor diz isto, mas volta sempre — observou o homem, rindo. Samuel saiu.
Ao
longo do cais, guiava lentamente. Parou, um instante, ficou olhando os
guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa."
SCLIAR, Moacyr.In:BOSI,Alfredo.O conto
brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cutrix, 1997.
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